Nenhuma fusão à vista. Mas uma convergência estratégica cada vez mais forte. É o que indica John Elkann, o atual chairman do grupo Stellantis durante sua palestra no palco do Future of the Car Summit, organizado pelo Financial Times: ‘Não estamos discutindo nenhuma fusão com a Renault.”
Ao seu lado, Luca De Meo, CEO da marca francesa, acena com a cabeça. No entanto, as afinidades entre os dois líderes do setor automotivo europeu são cada vez mais evidentes. Após a entrevista conjunta concedida recentemente ao Le Figaro, Elkann e De Meo voltam a se manifestar juntos, enviando uma mensagem clara às instituições europeias. O recado soa quase como um ultimato: a Europa precisa decidir se quer continuar fabricando automóveis ou se vai apenas importá-los.
Fiat 500 elétrico com configuração Giorgio Armani
Foto de: Fiat

Foto de: Renault
Regras mais simples
Elkann enfatizou a necessidade de regras mais simples e transparentes. “O que pedimos é exatamente o que a União Europeia afirma desejar: simplificar as regulamentações. Com menos regras, conseguiremos produzir veículos mais baratos e acessíveis ao consumidor médio”.
Outro ponto crítico destacado foi a necessidade de clareza sobre futuras legislações ambientais. Com o mercado já reduzido pela obrigatoriedade de carros totalmente elétricos até 2025 e a proibição de motores a combustão até 2035, Elkann demanda certeza sobre como e quando essas normas serão aplicadas. “A Europa precisa garantir previsibilidade para que possamos planejar e continuar investindo”, ressaltou.

A primeira imagem do Fiat 500 convertido de elétrico para híbrido, esperado para o final do ano
Foto de: Fiat
Os indecisos
Sobre a comparação com os EUA e a China, Elkann não esconde uma certa admiração pragmática: “O presidente Trump é muito claro sobre o que deseja alcançar para a indústria automotiva… as ações que estão sendo implementadas tornarão isso possível”. China: “O que está acontecendo na China deve ser uma fonte de inspiração, não de medo”. A Europa, por outro lado, ainda parece muito indecisa.
E aqui vem a frase mais clara: ‘A Europa precisa decidir o que quer fazer…. Ela quer ser uma nação que constrói carros ou … que compra carros?”.

Renault Megane E-Tech Electric
Colaboração independente
Apesar da proximidade estratégica cada vez mais clara entre Stellantis e Renault, Elkann reforçou enfaticamente que não haverá fusão. “Estamos alinhados em uma visão comum de sustentabilidade e acessibilidade, mas continuaremos independentes”, concluiu.
A mensagem conjunta de Elkann e De Meo desafia agora as autoridades europeias a definirem com clareza o futuro da indústria automotiva do continente.