Apesar do calendário desafiador, com eleições, Copa do Mundo e um bocado de feriados, a indústria automobilística brasileira projeta crescimento em 2026. É o que anunciou a Anfavea, associação que reúne as montadoras de veículos no país. Conforme o balanço de 2025, as fábricas locais registraram alta na produção mesmo diante de desafios econômicos e conflitos internacionais.
O último ano fechou com 2,644 milhões de modelos produzidos, uma alta de 3,5% na comparação com 2024. Por isso, a Anfavea prevê um crescimento de 3,7% na produção em 2026, com um total de 2,741 milhões de unidades. Esse aumento deverá se concentrar nos automóveis e comerciais leves, com 3,8% de incremento, graças às novas fábricas das chinesas BYD e GWM, além de lançamentos com fabricação local, como Honda WR-V, Toyota Yaris Cross e o futuro Jeep Avenger.
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Fonte: Mario Villaescusa / Motor1.com
Para caminhões e ônibus, a Anfavea estima uma produção de 154 mil, o que representa 1,4% de alta sobre os 152 mil modelos entregues em 2025.
“O patamar elevado da taxa Selic e a persistência de tensões geopolíticas, que limitaram uma recuperação mais consistente do setor ao longo de 2025, seguem presentes neste início de ano. Esse cenário nos leva a projetar um comportamento de mercado em 2026 bastante semelhante ao observado no segundo semestre do ano passado”, declarou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
Conforme a associação das montadoras, o mercado brasileiro mostrou resiliência em 2025 diante dos juros em patamares elevados. Foram 2,690 milhões de carros emplacados no ano, total 2,1% maior que o registrado em 2024 — e apenas 100 mil unidades abaixo do volume do período pré-pandemia. Já o mercado de caminhões sucumbiu aos juros altos e recuou 9,2%. Pior: no caso dos modelos pesados, a queda chegou a 20,5%.
Em compensação, tanto as exportações quanto as importações tiveram alta expressiva em 2025. Os embarques de veículos nacionais saltaram 32,1%, totalizando 528,8 mil unidades. Por isso mesmo, a Anfavea projeta para 2026 uma estabilidade, com alta moderada de 1,3% e um total de 536 mil unidades, puxada pelo bom desempenho do mercado argentino.
Leapmotor B10 é um dos modelos da marca trazidos da China
Foto de: Leapmotor
Conforme a Anfavea, o Brasil recebeu 498 mil veículos produzidos no exterior em 2025, alta de 6,6% sobre 2024. Esse crescimento foi puxado principalmente por modelos feitos em países sem acordo de livre comércio com o Brasil, em especial a China. O país asiático representou 37,6% do total. Assim, pela primeira vez, Mercosul e México não lideraram a lista — 50,2% vieram de outros locais.
“Nossa expectativa é de que o fluxo de entrada de modelos importados recue ao longo de 2026, com o início da produção nacional de veículos híbridos e elétricos em diversas fábricas instaladas no país, além do fim dos incentivos à importação de kits para SKD e CKD e da recomposição da alíquota do Imposto de Importação, prevista para julho”, avaliou Igor Calvet, presidente da Anfavea.
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– Equipe do Motor1.com