A Volkswagen pode estar prestes a iniciar um processo de reestruturação sem precedentes em sua história global. Conforme revelado pela revista alemã Manager Magazin e repercutido pelo diário BILD, o comitê de direção liderado pelo CEO Oliver Blume planeja cortar até 100 mil postos de trabalho em todo o mundo. O plano estratégico secreto prevê ainda o fechamento definitivo de quatro fábricas na Alemanha.
O volume de demissões em estudo representa o dobro da meta de economia ventilada pela fabricante há poucos meses, quando o teto de cortes estimado era de 50 mil vagas. Atualmente, o Grupo Volkswagen emprega cerca de 657 mil colaboradores globalmente. Fontes internas ponderam que o documento vazado não crava uma meta rígida para manter margem de manobra nas negociações trabalhistas.
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Fonte: Mario Villaescusa / Motor1.com
Quais fábricas podem fechar?
Ao menos por enquanto, sabe-se que o plano é focar na base industrial alemã. No médio prazo, as fábricas da Volkswagen localizadas em Hannover, Zwickau e Emden, além da histórica planta da Audi em Neckarsulm, correm o risco de encerrar as operações de forma definitiva. O cronograma prevê que os fechamentos ocorram de maneira gradual.
Pelo plano, assim que os veículos produzidos atualmente nessas linhas chegarem ao fim do seu ciclo de vida, a fabricação não será renovada e as atividades serão encerradas. A decisão afeta diretamente alguns dos principais polos de fabricação de elétricos do grupo alemão, como Zwickau – responsável pela montagem do ID.3 e do Cupra Born – e Emden.

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Além disso, a montagem do Golf migrará de Wolfsburg para o México em 2027, enquanto o inédito ID. Polo será feito na Espanha. Como esse corte radical de pessoal poderia ser implementado do ponto de vista jurídico e em acordo com os parceiros das negociações trabalhistas, no entanto, ainda não está totalmente claro.
Até o momento, vigoram na Volkswagen amplas salvaguardas de emprego, que garantem aos funcionários estabilidade até 2030 (na Audi, inclusive, até 2033). O sindicato IG Metall e o comitê de empresa prometem travar duras batalhas contra a quebra dessas garantias de longo prazo.

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Fonte: Audi
Para além da redução na folha de pagamento e da capacidade produtiva, o documento estratégico projeta uma mudança drástica na governança corporativa. A direção estuda desmembrar do conglomerado principal tanto a divisão de componentes quanto a própria marca Volkswagen, que vem registrando margens financeiras abaixo do esperado nos balanços recentes.
Ambas as operações seriam transformadas em empresas juridicamente independentes do restante do grupo. No mercado automotivo europeu, a manobra é vista como um movimento estratégico para dar maior agilidade financeira às divisões e facilitar uma eventual abertura de capital em bolsas de valores no futuro.

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Fonte: Volkswagen
Até agora, a montadora não confirmou oficialmente o documento que teria vazado. Mas também não o desmentiu de forma clara: procurado, um porta-voz do grupo afirmou apenas que a Volkswagen não comenta documentos internos e confidenciais. Segundo ele, todos os temas e planejamentos de futuro seriam discutidos nos fóruns competentes.
Ainda assim, os relatos reforçam a dimensão da pressão econômica sobre a empresa de Wolfsburg. O conglomerado vem enfrentando uma forte retração nos volumes globais de vendas, baixa aceitação da linha de veículos elétricos e custos de produção elevados em suas plantas locais, o que minou a competitividade do grupo.
Fonte:
BILD, Manager Magazin
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