Mais uma marca chinesa definiu onde produzirá no Brasil: a Omoda & Jaecoo no Brasil vai comprar a fábrica hoje operada pela Jaguar Land Rover em Itatiaia, no Rio de Janeiro, como base para sua futura produção nacional. A informação foi revelada por Jorge Moraes, colunista da CNN, e indica um passo relevante dentro da estratégia de consolidação da empresa no país.
Durante participação no Motor1.com Podcast, Roger Corassa, Vice-Presidente da Omoda & Jaecoo no Brasil, já havia sido questionado sobre a possibilidade de algum tipo de parceria operacional envolvendo a Jaguar Land Rover no país. Na ocasião, o executivo evitou confirmações diretas, mas deixou claro que diferentes caminhos estavam sendo analisados para viabilizar a produção local.
A leitura fazia sentido desde então. Na China, Jaguar Land Rover e Chery já mantêm operações conjuntas, o que naturalmente abria espaço para imaginar algum desdobramento semelhante em território brasileiro. Agora, com a informação divulgada por Jorge Moraes, essa possibilidade ganha contornos bem mais concretos.
A unidade de Itatiaia carrega relevância industrial e simbólica. Inaugurada em 2016, foi a primeira fábrica da Jaguar Land Rover fora do Reino Unido e continua sendo a única da companhia na América Latina. O complexo recebeu investimentos superiores a R$ 1 bilhão e possui capacidade instalada inicial de 24 mil veículos por ano, com potencial de expansão considerável.

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Fonte: Omoda & Jaecoo
Para a Omoda & Jaecoo, trata-se de uma oportunidade rara. Poucas plantas modernas, prontas para operar e bem localizadas ficam disponíveis no mercado. Além disso, Itatiaia está posicionada em região estratégica entre Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, próxima de grandes centros consumidores e corredores logísticos importantes.

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A eventual saída da Jaguar Land Rover da produção local acompanha o reposicionamento global da companhia. A empresa vem concentrando esforços em rentabilidade maior, menor complexidade operacional e foco crescente em produtos premium de margem elevada.
Os números brasileiros ajudam a explicar o cenário. Em 2025, a marca vendeu apenas 425 unidades do Land Rover Discovery Sport e 332 do Range Rover Evoque no país. Mesmo considerando exportações regionais, o volume parece limitado para sustentar uma estrutura industrial desse porte.

Foto de: Omoda
A produção nacional já vinha sendo tratada como prioridade pela marca. O ponto pendente era justamente definir onde ela aconteceria. Caso Itatiaia seja confirmada, a tendência natural é iniciar com produtos de maior volume e preço competitivo.
Entre os candidatos aparece o futuro Omoda 4, crossover compacto que deverá atuar em um dos segmentos mais relevantes do mercado brasileiro. A expectativa envolve versões com motor 1.0 turboflex e também sistema híbrido HEV, sem necessidade de recarga externa. É uma configuração desenhada para escala e ampla aceitação comercial.
Em uma segunda etapa, modelos eletrificados da linha Jaecoo também podem entrar no radar, especialmente SUVs híbridos e híbridos plug-in.

Chery – Fábrica em Jacareí (SP)
Antes de Itatiaia surgir como opção principal, a antiga fábrica de Jacareí, em São Paulo, era vista como caminho natural. A unidade, porém, envolve negociações mais complexas desde a participação da CAOA na estrutura, o que dificultou avanço das conversas.
Com todas as questões envolvendo sindicato e até licenças, Jacereí perdeu força e nem o próprio Grupo Chery interveio. Agora, Itatiaia aparece como alternativa mais direta. Há estrutura pronta, operação em andamento, localização favorável e possibilidade de transição mais rápida entre uma marca e outra.
A movimentação também mostra como o Brasil se tornou peça central para a expansão regional das montadoras chinesas. Não basta mais importar carros e testar aceitação. As marcas agora buscam escala industrial, conteúdo local e presença de longo prazo.
Se a compra da fábrica se confirmar, a Omoda & Jaecoo dará um passo importante para consolidar sua presença no país, abastecer mercados vizinhos e reduzir dependência cambial. Em outras palavras, deixa de ser apenas recém-chegada e passa a atuar como fabricante instalada.
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