A Ferrari esperava que a Luce dividisse opiniões, mas admite que a rejeição ao seu primeiro carro elétrico foi maior do que imaginava. Ao invés de se preocupar com as críticas, a fabricante italiana afirma estar satisfeita com a repercussão e diz que o debate em torno do modelo é positivo para a marca.
No melhor estilo do “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”, Emanuele Carando, diretor global de marketing da Ferrari, afirmou ao site norte-americano Edmunds que as reações polarizadas já eram esperadas, mas admitiu ter sido surpreendido pela intensidade – e pelo volume – das críticas ao modelo.
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Fonte: Ferrari
Críticas não afastaram compradores
E, mesmo com tantas reações contrárias ao modelo, a primeira Ferrari elétrica da história já começou a demonstrar sua força comercial em alguns mercados. Um dos principais exemplos vem justamente da China. Dias após a apresentação do modelo, o CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, afirmou que a Luce despertou “forte interesse”, inclusive entre clientes que nunca haviam comprado um Ferrari.
Segundo o executivo, alguns consumidores já realizaram depósitos para garantir uma unidade. Os primeiros sinais, inclusive, são do país asiático. No início de julho, veículos da imprensa local informaram que as 88 unidades inicialmente destinadas ao país haviam sido reservadas rapidamente, embora a Ferrari continue aceitando encomendas.

Foto por: Ferrari
Nem os ex-presidentes aprovaram
As críticas, no entanto, vieram até mesmo de um dos nomes mais importantes da história recente da Ferrari. Ex-presidente da companhia entre os anos de 1991 e 2014, Luca di Montezemolo afirmou que revelar sua verdadeira opinião sobre a Luce “seria um desserviço à Ferrari”.
O executivo também disse que o novo elétrico corre o risco de “destruir uma lenda” e afirmou esperar que a marca “ao menos retire o cavallino rampante do carro”. Em outra declaração, disse que a Luce “certamente será um carro que pelo menos os chineses não vão copiar”, em referência às recorrentes acusações de que fabricantes do país reproduzem designs ocidentais.

Foto de: Ferrari
A apresentação da Luce também teve grande repercussão no mercado financeiro. Nos Estados Unidos, as ações da marca caíram 4,6% no pregão seguinte à revelação do modelo, embora posteriormente tenham recuperado as perdas.
Se a enxurrada de críticas parecia um risco para a Ferrari, a fabricante demonstra enxergar justamente o contrário. Enquanto a Luce continua dividindo opiniões na internet, os primeiros sinais de mercado indicam que toda essa repercussão pode estar ajudando a manter o primeiro elétrico da história da marca em evidência – e, ao menos na China, isso já parece estar se convertendo em demanda.
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