A Jaguar está mergulhando de cabeça no seu futuro elétrico com o Type 01 — um sedã de luxo grande, movido a bateria, pensado para encarar nomes como Bentley e Rolls-Royce. Infelizmente para a marca, a chegada do próximo elétrico não tem sido recebida com elogios unânimes.
Na internet, o conceito foi alvo de críticas pelo visual que muita gente comparou a Minecraft e pela estratégia de marketing da fabricante — digamos — pouco ortodoxa. Ainda assim, a Jaguar segue adiante com o novo Type 01, revelando o nome apenas alguns meses antes de os protótipos começarem a rodar nas ruas. A estreia oficial está marcada para mais tarde neste ano.
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Fonte: Jaguar
Às vésperas do que pode ser a apresentação mais importante da Jaguar em seus mais de 100 anos de história, conversamos com o homem que passou mais de duas décadas comandando o departamento de design da empresa para ouvir o que ele pensa sobre o novo visual e a nova direção da marca.

Foto: Jaguar
Brutal, mas não bonito
Ian Callum é um veterano da indústria. Ele iniciou a carreira no fim dos anos 1970 na Ford, antes de chegar ao cargo de chefe de design da Jaguar, em 1999. Callum deixou a montadora em 2019 para abrir sua própria empresa, a Ian Callum Design.
Em conversa com ele como parte de uma entrevista maior sobre seu trabalho no Aston Martin Vanquish, fiz uma pergunta difícil sobre seu antigo empregador: o que ele acha da nova Jaguar?
Segundo Ian, o novo Jaguar (ao menos em forma de conceito) tem uma ausência: beleza.
‘O [conceito Type 00] é muito ousado e muito dramático. Falta beleza. Não nego que seja ousado e dramático; tem proporções muito extremas. Para mim, a proporção é retrô demais… mas a ousadia é corajosa. É brutal, mas falta beleza, e acho que um critério da Jaguar é ser bonita. Não estou dizendo que seja um design ruim, apenas falta esse elemento muito importante do design da Jaguar.’
Callum entende de beleza. Durante seus 20 anos à frente do design da Jaguar, ele desenhou alguns dos modelos mais icônicos da marca. Ele deu vida a sedãs como o XF e o XJ, além de cupês como o XK e o F-Type.
Callum também criou o visionário I-Pace, que ele ainda considera um de seus melhores projetos. Seu ato final na Jaguar foi o belíssimo conceito C-X75. Embora nunca tenha chegado à produção, ainda é possível, de certa forma, comprar um por meio da empresa dele hoje.

Foto: Jaguar
O desafio da eletrificação
Para Callum, porém, a falta de beleza do Type 01 não é o único problema. Ele acredita que o trem de força elétrico também vai limitar o apelo do grande Jaguar, à medida que mais compradores evitam carros elétricos caros.
‘Acho que o maior desafio [do Type 01] será o fato de ele ser elétrico. Isso não é opinião minha; é apenas um fato da vida. Se você olhar para todos os supercarros elétricos, parece que ninguém quer. Quem compra supercarro não vai se preocupar com consumo de combustível; disso eu tenho certeza.’
‘Em geral, esse público é de uma certa faixa etária — normalmente mais velha. Não são pessoas de 25 anos; são de 65, de uma geração para a qual o barulho do motor e a troca de marchas são muito importantes. Isso não vai durar para sempre.’
Callum tem um ponto. Executivos já falaram bastante sobre as dificuldades de levar veículos elétricos ao mercado de alta performance e alto luxo. O CEO da Bugatti-Rimac, Mate Rimac, disse que os compradores simplesmente não estão interessados em hipercarros elétricos no momento. O CEO da Lamborghini, Stephan Winkelmann, observou algo semelhante, chamando-os de um ‘hobby caro’.
Ainda não está claro o que o futuro reserva para o primeiro elétrico ultracaro da Jaguar. Agora, resta esperar para ver como tudo isso vai se desenrolar.
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