conheça o Corsa TR dos anos 80

Quase onipresente nas ruas brasileiras entre as décadas de 1990 e 2000, o Corsa sedã é um dos raros casos em que um derivado sobrevive mais tempo do que seus sucessores. O modelo, famoso por suas linhas arredondadas, marcou época na transição dos compactos na virada do milênio, mas poderia ter aparecido por aqui bem antes.

Isto porque, ainda durante a década de 1980 a Opel, antigo braço europeu do grupo General Motors e hoje parte da Stellantis, já produzia a primeira geração do Corsa – cotada e testada para lançamento no Brasil, aliás – com alguns mercados, em especial, tendo uma derivação sedã.

A influência da Opel

Como boa parte dos Opel dessa década, o primeiro Corsa tinha muito dos carros que também tivemos por aqui, como Monza (por lá chamado de Ascona) e o Kadett (chamado em alguns lugares de Astra). Sua chegada foi em 1982, em um segmento que vinha crescendo fortemente nos anos anteriores, em especial com a chegada de VW Polo e Ford Fiesta.

Tamanha sua importância, logo ganhou derivações, como a opção de cinco portas para o hatchback e um sedã. Seu nome era Corsa TR. A sigla significava ”traditional” ou Three-box – três volumes, em português – e era obviamente uma referência ao seu formato de carroceria. Tecnicamente, o TR era baseado exatamente na plataforma e no conjunto de suspensão do Corsa A convencional, mas recebia um balanço traseiro bem evidente.



Foto de: Redação Motor1 Brasil



Chevrolet Kadett

Chevrolet Kadett, conhecido como Opel Kadett E

Foto de: Motor1 Brasil

Esse desenho combinava com o gosto da época, em que o sedã era visto em muitos mercados -especialmente no sul da Europa e nos Países Baixos – como um modelo mais refinado, com mais prestígio e “sério” do que o hatch, ainda que menos prático.

Na Alemanha, porém, o Corsa TR, com apenas 3,95 m rapidamente, ganhou a fama de “carro de aposentado”, voltado a um público mais conservador e mais velho, perfeito para quem queria um Ascona (Monza) ou Rekord (sucessor do Opala), mas achava os dois grandes ou caros demais.

É bem provável que a Opel também tivesse esse perfil em mente, já que o Kadett anterior ao que tivemos por aqui não existia como um sedã. O Kadett só voltaria a ser oferecido nessa configuração em sua quinta geração, a E, a partir de setembro de 1985.



Opel Corsa A TR (1982-1993)

Opel Corsa A TR (1982-1993)

Foto de: Opel

Um mini-Monza

Ainda assim, a carroceria de três volumes dava uma grande vantagem ao sedã: com cerca de 410 litros de porta-malas, o pequeno Opel superava em capacidade de bagagem até alguns modelos do segmento maiores.

Sob o capô do Corsa TR, as opções eram bem singelas. A modelo de entrada tinha um quatro-cilindros 1,0 litro com 33 kW (45 cv), considerado robusto, mas também bastante “amarrado”. Bem mais convincente era o TR com o 1,2 litro de 40 kW (55 cv) ou com o 1,3 litro, que entregava 51 kW (70 cv).

Este último garantia, para os padrões da época, um desempenho até interessante em um carro com pouco mais de 750 kg. Enquanto o hatch mais tarde viraria lenda na forma do esportivo GSi, o TR permaneceu claramente orientado a conforto e utilidade — algo refletido também nas versões. Os clientes podiam escolher entre a configuração básica, a mais sofisticada “Berlina” e a “Luxus”, esta última inclusive com bancos de veludo e detalhes cromados.



Opel Corsa A TR (1982-1993)

Opel Corsa A TR (1982-1993)

Foto de: Opel

Também com cinco portas

Em 1985, um cinco portas passou a complementar a linha e a sigla TR deixou de ser usada. No primeiro facelift, em agosto de 1987, a grade dianteira foi modificada; desde então, sedãs e hatchbacks passaram a usar a mesma grade, enquanto o GT e, mais tarde, o GSi tinham grades próprias. 

Na mesma época, a venda dos sedãs foi encerrada na Alemanha. A demanda havia caído fortemente em favor do hatch. Algo parecido aconteceu com o sedã do Polo, na época chamado de Derby. Ainda assim, o Corsa A sedã não era tão raro: entre 1982 e 1988, foram produzidas 319.035 unidades – de um total de pouco mais de dois milhões de Corsa A.

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