Na prática, o plano da Abarth era seguir rumo a um futuro totalmente elétrico. Com o Abarth 500e e o crossover maior 600e, a marca italiana de desempenho queria mostrar que o escorpião também pode ser elétrico. Só que a realidade dos mercados é diferente: as vendas dos esportivos elétricos ficam bem abaixo do esperado.
Isso fica especialmente claro no mercado alemão. Enquanto a Abarth, em 2024, quando os modelos a combustão 595 e 695 ainda estavam disponíveis, emplacou cerca de 2.200 carros novos, os números desabaram em 2025. Após a mudança para um portfólio exclusivamente elétrico, as vendas na Alemanha caíram para uma estimativa de apenas 650 unidades.
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Olhando para a Europa como um todo, as vendas teriam caído, segundo estimativas, de pouco mais de 7.500 em 2024 para algo em torno de 2.000 no ano passado (nas estatísticas oficiais, como as do órgão federal alemão de transportes, os modelos Abarth não aparecem discriminados, e a própria Abarth atualmente não divulga números de vendas). Essa queda drástica pode agora levar a uma mudança de estratégia na sede do grupo, em Turim.
A Fiat já reagiu à demanda fraca por elétricos e retrabalhou o Fiat 500e para que ele também possa sair de fábrica como híbrido. Agora, o novo Fiat Grande Panda, que ainda dará origem ao Argo de nova geração, entra no radar da Abarth.
Apresentado no ano passado, o Grande Panda usa a arquitetura “Smart Car” da Stellantis (semelhante à do Citroën C3 e do Peugeot 208). Essa plataforma pode acomodar tanto motores elétricos quanto motores a combustão e sistemas híbridos. Como informa a britânica Autocar , a Abarth já trabalha em uma versão de alta performance do Grande Panda, embora a liberação final para produção em série ainda não esteja definida.
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Fonte: Fiat
Gaetano Thorel, chefe de Fiat e Abarth na Europa, foi enigmático, porém otimista, em declaração à Autocar: “Com certeza vamos usar o legado da Abarth em algo novo. Não podemos dizer mais do que isso no momento.”
Um motivo central para a resistência dos clientes, segundo o CEO da marca, Olivier François, é como tantas vezes, a falta de emoção. Embora os elétricos ofereçam aceleração impressionante, para os chamados “Abarthisti”, fãs mais tradicionais da marca, falta o som e a sensação crua ao volante.
Gaetano Thorel complementa: “A Abarth é mais do que uma marca de performance; é uma marca de preparação. Quem comprava um Abarth no passado gostava de pôr a mão no motor para melhorá-lo. Em um carro elétrico, isso é impossível. Um Abarthisti não consegue mais ‘tocar’ a técnica.”
Fiat Grande Panda 4×4 Manifesto (2025)
Foto: Fiat
Tecnicamente, a Abarth poderia apostar em uma solução inovadora no Grande Panda. A Fiat já mostrou um conceito do Grande Panda 4×4 que tinha um “eixo traseiro eletrificado e inovador”, o Manifesto. Na prática, isso significaria: um motor a combustão traciona a dianteira, enquanto um motor elétrico entra em ação quando necessário para dar boost adicional e oferecer tração integral.
Se, no fim, uma variante esportiva do Grande Panda vai mesmo “roncar” com motor a gasolina agora depende da viabilidade técnica e do “DNA” que a Abarth conseguirá imprimir ao carro. Thorel explica: “Os Abarth elétricos são carros de altíssima performance, mas um Abarthista não consegue tocá-los, não consegue pôr a mão. Por isso, estamos avaliando a possibilidade de voltar a fazer um Abarth com motor a combustão, mas apenas se conseguirmos dar a ele o DNA certo. Se for tecnicamente possível e estivermos em condições de fazer, vamos fazer.”
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