Não foi só a virada do milênio – e o medo do bug Y2K – que marcaram a virada dos anos 90 para os anos 2000. Na Volkswagen, foi a época em que seu principal carro, o hatch médio Golf, ganhou vida nova ao evoluir em refinamento técnico e em conforto como nunca antes, com o lançamento da quarta geração do modelo.
Mas, ainda que tenha sido o Golf mais refinado até então, compartilhando a mesma base PQ34 que seu primo rico, o Audi A3, o modelo eliminou qualquer vestígio de esportividade em seu exterior. Quase o mesmo que ocorreria também com seu irmão menor, o Gol GTI de terceira geração, que passou de maneira bem discreta pelo mercado em sua época, situação bem diferente de seus antepassados.
Tal como no Gol, pouco se percebia, para os olhares mais incautos, de que se estava diante de uma versão mais nervosa como a GTI, já que agora ela era virtualmente idêntica as opções com motores menores, com exceção de lanternas escurecidas e outros pormenores.
Para não correr o risco de apagar a aura de seu principal produto, não demorou muito para que a Volkswagen acabasse criando novas versões levemente mais esportivas, caso deste Golf das imagens vendido na Europa, e que comemora os vinte e cinco anos de produção do hatchback globalmente.
VW Golf IV GTI “25 Jahre GTI” (2001)
Foto de: Motor1.com Deutschland
VW Golf IV GTI “25 Jahre GTI” (2001)
Foto de: Motor1.com Deutschland
Bilder von: Motor1.com Deutschland
Para marcar o feito, o MK4 GTI ”25 anos” ganhava um kit aerodinâmico da Vortex, rodas de liga leve BBS de 18 polegadas em conjunto com pinças de freio vermelhas e ponteira de escapamento em aço inoxidável. Mas não parava por aí.
Se o GTI tradicional trazia sempre o 1.8 turbo de 150 cv – também compartilhado com o A3 da época – a edição especial ficou marcada por subir o sarrafo para 180 cv, números consideráveis para a época. Ele se diferenciava por um turbocompressor levemente modificado (conhecido como K03s), novo mapeamento de software e comando de válvulas variável.
In der Kurve eher behäbig: VW Golf IV GTI “25 Jahre GTI”
Foto de: Volkswagen
Der VW Golf IV GTI “25 Jahre GTI” weckt Jugenderinnerungen bei Wagner
Foto de: Volkswagen
Geradeaus überraschend wuchtig: VW Golf IV GTI “25 Jahre GTI”
Foto de: Volkswagen
Bilder von: Volkswagen
Para melhorar a dirigibilidade, o carro recebeu uma suspensão 10 mm mais baixa que o GTI padrão (cerca de 25 mm menor que um Golf comum), amortecedores mais rígidos e discos de freio maiores (312 mm na frente). Mudanças sutis, sim, mas que mudaram a personalidade do modelo.
Mesmo duas décadas depois, o velho motor 1.8 Turbo continua sendo uma força da natureza. Seu torque total surge logo aos 1.950 rpm, o que torna o carro bem esperto. Ele é capaz de fazer de 0 a 100 km/h em 7,9 segundos, números que podem até não impressionar hoje, mas que conta com entrega de potência de maneira extremamente satisfatória. O câmbio, sempre elogiado, também marcou época pelos engates precisos e mecânicos, longe da sensação “borrachuda” de outros modelos da época.
VW Golf GTI MK4 com motor VR6
Foto de: Motor1
No Brasil
A quarta geração do hatch também marcou época por aqui. Foi o primeiro Golf fabricado pela alemã em São José dos Pinhais (PR), de onde também saia o Audi A3 de primeira geração. A planta, que nasceu em 1999 especialmente para a produção dos modelos, hoje é uma das mais tecnológicas do país.
Diferente do MK3 – que foi trazido inicialmente da Alemanha e em seus últimos lotes do México – o Golf MK4 já apostava nas tendências do mercado brasileiro naquela época, que deixou de lado seu preconceito com carros de duas portas para passar a adotar quatro como padrão, ao menos em modelos mais caros como o hatchback da VW.
O Golf MK4 até chegou a ser oferecido com duas portas por aqui, mas vendeu pouco. Hoje, as unidades restantes têm preços altíssimos devido a sua raridade. Além dele, o mercado teve ainda o GTI com propulsor VR6, limitado a 99 unidades. Entre seus diferenciais, estava a carroceria de duas portas, o motor mais potente (apesar de não tão mais rápido, devido ao seu peso) as rodas de 17″ e o kit aerodinâmico da carroceria.
Com seus 200 cv (20 cv a mais que o GTI 1.8 turbo) e câmbio manual de seis marchas do Audi S3, o GTI VR6 fazia 0 a 100 km/h em 7,7 segundos, contra 7,8 s do “irmão” de quatro cilindros. Em velocidade máxima, os dois também praticamente empatavam, na casa dos 215 km/h.
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Fonte: Reprodução
O polêmico ‘quatro e meio’
Em 2008, ainda na quarta geração, o Golf recebeu a polêmica reestilização que lhe rendeu o apelido de MK4,5, já que misturava elementos da quinta geração do médio fabricado em outros mercados com a mesma base do Golf MK4, o que esticou a vida dessa geração no país até 2013.
Nessa época, para concorrer com o Honda Civic SI de oitava geração, que possuía motor 2.0 K20 aspirado, capaz de render 192 cv e 19,2 kgfm de torque, a alemã resolveu retrabalhar o motor 1.8 turbo para que ele chegasse a 193 cv quando usasse gasolina podium. Assim, o hatch mantinha o posto de carro mais rápido fabricado no país e ainda ganhava novo fôlego, indo de 0 a 100 km/h em 7,5 segundos.
Com o fim do Golf GTI MK4,5, em 2009, a marca alemã passou alguns anos sem modelos realmente esportivos no país, se limitando a versões GT ou às R-line presentes em Passat, Tiguan e Touareg. Foi somente com o lançamento da sétima geração do Golf, no fim de 2013, que a marca voltou a ter um modelo realmente apimentado.
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