Simego apoia telemedicina, mas cobra critérios técnicos da SMS

A proposta da Prefeitura de Goiânia de implantar um serviço de telemedicina para reduzir a procura pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) encontra respaldo do Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), mas com ressalvas. A entidade considera que a ferramenta pode ajudar a diminuir a superlotação das unidades, desde que seja acompanhada de protocolos bem definidos, profissionais capacitados e segurança na avaliação clínica dos pacientes para não subestimar casos graves.

Desta forma, a entidade defende o uso da tecnologia para pacientes de baixa complexidade, mas cobra qualificação dos médicos, critérios técnicos e rapidez no atendimento. Embora reconheça a importância da telemedicina, o Simego alerta que a tecnologia não substitui completamente a avaliação presencial.

Segundo a diretora do sindicato, Franscine Leão, a principal limitação está na impossibilidade de realizar o exame físico e verificar sinais vitais durante o atendimento remoto, o que pode dificultar a identificação de quadros mais graves. “Uma coisa é ouvir a queixa do paciente, outra é avaliá-lo. Não é possível aferir sinais vitais, por exemplo. A teletriagem pode subestimar a gravidade de um paciente, e esse não é o nosso objetivo.”

A diretora do Simego afirma que a sobrecarga nas urgências é consequência de um problema antigo na organização da rede pública de saúde. Segundo ela, pacientes com casos simples acabam procurando as UPAs, enquanto situações que exigiriam atendimento de urgência, por vezes, seguem outro caminho dentro do sistema, como a atenção primária nas unidades básicas de saúde.

“Há muito tempo observamos que a saúde pública vem sendo mal utilizada pelos pacientes do SUS. Pessoas com casos de urgência acabam parando em unidades de atenção primária, enquanto pacientes de baixo risco, que poderiam ser atendidos na atenção básica, procuram as unidades de emergência. Esse desvio gera sobrecarga e prejudica o próprio usuário do SUS.”

Franscine Leão, do Simego, diz que os profissionais do telemedicina devem ser treinados para o atendimento (Foto: Reprodução)

Para a dirigente, a intenção da Secretaria Municipal de Saúde de utilizar a telemedicina para reduzir esse fluxo é positiva, mas ainda depende de informações sobre a operação do serviço. “A gente vê que isso é possível, mas precisamos entender melhor como será a gestão, qual será a qualidade da assistência, o tempo de resposta e quais profissionais prestarão esse atendimento. Só então será possível avaliar se o paciente será bem assistido.”

Casos que podem ser atendidos

Na avaliação da entidade, entre 70% e 80% das pessoas que procuram as unidades de urgência não deveriam estar nesses locais.

Pacientes classificados como “azuis”, por exemplo, que precisam apenas de renovação de receitas ou orientações médicas, poderiam ser atendidos na atenção primária e, em muitos casos, pela própria telemedicina.

“Talvez a teleconsulta seja suficiente para assistir a esse paciente, mas precisamos analisar com muita cautela como essa assistência será prestada.”

Capacitação e remuneração

O sindicato também afirma que acompanhará a implantação do serviço para garantir que os médicos recebam treinamento específico para atuar no atendimento remoto.

Além disso, defende que a remuneração seja compatível com a responsabilidade da atividade.

“Há necessidade de qualificação para esse profissional. Ele não pode simplesmente ser lançado no serviço sem ter sido capacitado. Vamos lutar para que esses profissionais tenham remuneração coerente com a carga horária prestada e com a assistência oferecida ao usuário.”

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