O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, nesta quarta-feira (29/4), reduzir a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, para 14,50% ao ano, mantendo um ciclo de cortes após descer a taxa a 14,75% na última reunião. Antes disso, a Selic se manteve em 15% ao ano por cinco reuniões consecutivas.
O anúncio já era esperado por parte do mercado financeiro, levando em consideração a comunicação do comitê que indicava o início da flexibilização monetária.
Decisão do Copom
Os diretores do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic. Isso porque é missão do Banco Central (BC) controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país, que seguem subindo, mas com menos força.
Na última ata do comitê, no entanto, o colegiado demostrou cautela quanto ao cenário internacional, afetado pelo conflito geopolítico no Oriente Médio.
Segundo comunicado da decisão, que foi unânime, o Copom informa que está atento ao alto nível de incerteza em decorrência da crise mundial de energia.
“O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil. Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados”, diz o texto.
No entanto, diferentemente da postura adotada nas últimas comunicações, o BC não deu nenhuma indicação dos rumos da política monetária nas próximas reuniões.
O texto se limitou a dizer que, nesta reunião, o colegiado julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências sobre a desaceleração da atividade econômica.
“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, destacou.
Entenda a situação dos juros no Brasil
- A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
- Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
- Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
- Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.
- Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato do presidente Gabriel Galípolo à frente do BC.





Expectativas do mercado para a Selic
Analistas do mercado financeiro, consultados semanalmente no relatório Focus, estimam que a taxa básica de juros, a Selic, feche 2026 em 13% ao ano. Ou seja, não há expectativa de novos aumentos na taxa. As estimativas para os próximos anos também seguem as mesmas, confira abaixo:
- Para 2027, a previsão da taxa de juros é de 10,50% ao ano.
- Para 2028, a estimativa continua em 10% ao ano.
- Para 2029, a estimativa é de 9,50% ao ano.
As previsões indicam que o mercado não crê que a taxa Selic fique abaixo de dois dígitos até o fim do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2026, e sequer do atual mandato de Gabriel Galípolo à frente do BC, que termina em 2028.
Calendário do Copom
Reuniões em 2026:
- 27 e 28 de janeiro
- 7 e 18 de março
- 28 e 29 de abril
- 16 e 17 junho
- 4 e 5 de agosto
- 15 e 16 de setembro
- 3 e 4 de novembro
- 8 e 9 de dezembro