A Honda revelou recentemente a WN7, sua primeira moto naked elétrica de porte grande — e, de algum jeito, ela já conseguiu receber o prêmio iF Design Gold Award antes mesmo de a maioria das pessoas ver uma de perto.
E isso acontece porque, em vez de tentar criar algo extremo e futurista demais, a Honda decidiu que a chave para o sucesso da WN7 seria fazê-la parecer “familiar”. Nada de futurismo forçado. Nada de esquisitices. Nada de tentar reinventar o que é uma motocicleta. E talvez — só talvez — seja exatamente por isso que funcionou.
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Fonte: Honda
Olhe para a maioria das motos elétricas e elas ou abraçam de vez o visual de nave espacial, ou se esforçam demais para fingir que ainda têm um motor. Tanques falsos, entradas de ar falsas, proporções estranhas que não fecham. A WN7 contorna tudo isso com algo enganosamente simples: ela constrói o conjunto em torno da bateria e deixa a moto existir como uma moto.
Essa bateria não está escondida nem disfarçada. Na verdade, ela é o núcleo do design e até parte da estrutura. Dá para “ler” como a moto é montada só de olhar, algo com que designers são obcecados, mas que a maioria das pessoas não percebe conscientemente. O resultado é limpo, honesto e, de um jeito curioso, novo em um segmento que costuma estar cheio de excesso de ideia e de engenharia.
Foto de: Honda
E, ainda assim, ela segue com cara de naked de verdade. A postura é correta e as proporções parecem bem resolvidas. Tem aquela silhueta de streetfighter que entrega o que ela é antes mesmo de você processar os detalhes — meio como uma interpretação mais futurista da Honda CB1000 Hornet. E essa combinação entre DNA de moto “raiz” e o empacotamento EV mais moderno provavelmente foi o que chamou a atenção dos jurados.
Em desempenho, ela também não está para brincadeira. Estamos falando de cerca de 66 cv (49 kW) e aproximadamente 10,2 kgfm de torque, o que a coloca num patamar de esportivas de média cilindrada. Pense nela como uma naked “classe 600”, só que com torque instantâneo e sem o drama típico de motor a combustão. Ela parece mais feita para a pilotagem do mundo real do que para impressionar em ficha técnica — o que combina com a proposta da moto.
Foto de: Honda
A recarga é feita via CCS (padrão de veículos elétricos), então você não fica preso a um ecossistema proprietário. A Honda diz que dá para carregar de 20% a 80% em cerca de 30 minutos, o que a torna viável para uso diário de verdade — e não só para deslocamentos curtos ou aquele rolê de fim de semana até o café. Só isso já indica que não é apenas um conceito fantasiado de modelo de produção. É um produto final, praticamente pronto para ir para as ruas.
E aí vem a parte curiosa: ela nem foi lançada ainda e já ganhou prêmio. Não, você não pode simplesmente entrar numa concessionária Honda e sair pilotando uma hoje, mas a moto em si está basicamente pronta. Ela estreou na EICMA como um modelo de produção plenamente desenvolvido, e as entregas devem começar em breve. No universo dos prêmios de design, isso é mais do que suficiente. Esses júris não estão avaliando volume de vendas ou confiabilidade no longo prazo; eles julgam intenção e execução — se é ou não um projeto inteligente e com visão de futuro.
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