Poucos meses antes de Carlos Tavares renunciar, o Stellantis National Dealer Council (NDC), conselho nacional de concessionários da marca nos EUA, enviou uma carta dura ao então CEO, acusando-o de nada menos que um “desastre” e da “rápida deterioração” de Jeep, Ram, Dodge e Chrysler. A Stellantis reagiu rapidamente, argumentando que fazer “ataques pessoais públicos” ao CEO não resolveria nada.
Embora Tavares esteja fora há pouco mais de um ano, sua sombra ainda paira sobre os concessionários nos Estados Unidos. Em entrevista à Automotive News, o presidente do NDC, Sean Hogan, falou abertamente sobre a liderança anterior, afirmando que o ex-CEO tinha a visão errada para o grupo automotivo ao tirar o “fator entusiasmo” enquanto cortava custos onde fosse possível:
70
Fonte: Brian Silvestro / Motor1
‘Tavares tentou levar nossas marcas para o caminho de virar uma empresa de transporte sem graça. Não somos isso. E aí ele cortou, e cortou, e cortou. Nenhuma das nossas marcas é sobre transporte básico. Tudo o que a gente precisa construir tem que ser legal e único.’
As coisas parecem ter melhorado com Antonio Filosa no comando da Stellantis. Em comparação com Tavares, a nova equipe de gestão é elogiada pelo NDC por entender o que funciona. Hogan destacou a volta do motor Hemi e o compromisso da empresa de investir US$ 13 bilhões nos EUA até o fim da década.
Novos produtos estão no horizonte, incluindo um Dodge Durango de nova geração e um SUV com a marca Ram. Este último, segundo Hogan, “vai ser potente e com visual sexy”. Depois de vê-lo a portas fechadas, ele o descreve como um SUV grande, com “DNA de Ram por todos os lados”.
2027 Ram 1500 SRT TRX Bloodshot Night Edition
Foto de: Ram
No entanto, nem todas as marcas devem sobreviver sob o guarda-chuva da Stellantis. Uma reportagem recente da Reuters afirmou que Filosa está “avaliando a viabilidade de longo prazo de todas as 14 marcas”, com alguns nomes europeus sendo mais vulneráveis. Fontes disseram à agência que a aposentadoria (descontinuação) de certas marcas não está descartada.
Desde a era Tavares, muitos questionam se faz sentido manter tantas marcas, dado o risco de sobreposição de produtos que acaba canibalizando vendas. O Grupo Volkswagen conseguiu, mas mesmo a VW tem menos marcas. Filosa enfrenta o desafio de decidir o futuro de nomes em dificuldade, como Chrysler nos EUA e Lancia na Europa.
8
Fonte: Dodge
A visão do Motor1 nos EUA: Os concessionários americanos parecem mais otimistas do que nunca desde a fusão de 2021 entre FCA e PSA que criou a Stellantis. Com investimentos maciços beneficiando todas as fábricas nos EUA, a confiança faz sentido. A de Belvidere está reabrindo para produzir Jeep Compass e Cherokee a partir de 2027.
Os concessionários também aguardam uma leva de novos produtos. A Ram TRX já voltou, uma nova picape média Dakota, diferente da vendida no Brasil, é esperada para o ano que vem, e o primeiro SUV da Ram tem chegada prevista para 2028, possivelmente acompanhado pelo Dodge Durango de nova geração, com lançamento potencial em 2029.
Embora a Stellantis tenha tido um ano morno nos EUA, com as vendas caindo 3% para 1.260.344 unidades, os concessionários estão confiantes de que as medidas de Filosa vão dar resultado. Há uma visão nitidamente mais clara agora, especialmente nos EUA, onde a nova gestão parece entender seus clientes muito melhor do que o comando anterior.
Queremos a sua opinião!
O que você gostaria de ver no Motor1.com?
Responda à nossa pesquisa de 3 minutos.
– Equipe do Motor1.com